14.3.2008
Histórias sem rosto
Daniel Schenker - Revista Cinema - Jornal do Brasil
O Projeto de Juízo confronto Maria Augusta Ramos com uma restrição: ela estaria proibida de filmas os rostos de menores infratores. Diante desta limitação, e da diretora mostrou-os de constas. Entretanto, não se contentou com essa solução. Por isso, entregou os depoimentos daqueles que não poderiam aparecer de frente para a câmera para adolescentes de comunidade carentes, encarregados de dizer textos alheios, mas, de certo modo, ligados a suas experiências de vida.
A exposição de pessoas relatando “por dentro” de falas pertencentes a outras foi destacada por Eduardo Coutinho em jogo de cena. Além de abordar as fronteiras entre representação e não-representação, Maria Augusta “aproveitou a interdição para registrar os corpos dos meninos e meninas de maneira singular. Quando filma seus personagens em close, confere-lhes a identidade negada pelo sistema.
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